Eu não sei bem o que é. Acho que ressaca. Talvez o sexto dia seguido fumando que só. A caixinha de Marlboro , pequena lembrança da McLaren do Prost. Hiltons alongados como os dedos da última amante russa do último Czar, meu brother Nikolay Alexandrovich. Quem sabe a ausência de uma mulher que não sei bem quem é. Ou a falta dos amigos que conheço até demais. Possivelmente o ducentésimo segundo aniversário da batalha de Waterloo. Vocês já experimentaram morrer em Waterloo? Nem tentem. É uma merda. Ou o Chet Baker solitário que preenche a sala de jantar onde raramente se janta. (Por falta de diagnóstico ou doença que justifique um diagnóstico, Chet Baker em What's New está fora de cogitação). Pode ter sido o excesso de anúncios de shampoo para caspa ou os congelados da perdigão. Vinho chileno ou Jaggershit, só pode. Não descarto a vitória do Flamengo, que sempre me fode a alma, ou a distância do nordeste, meu oceano e minha cicuta. Há quem diga que a culpa está nas estrelas, mas os cientistas não sabem mais que as cartomantes, e as cartomantes de hoje escorregaram na Tamburello: profissionalizaram-se.
Olha, se eu pudesse e o dinheiro desse, mataria no peito e sairia jogando , mas não é assim que a banda toca, chicos.
Acontece, meu bem. Às vezes é simplesmente inevitável, filho meu. Como proceder? Com a palavra, Manuel Bandeira: "A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
sábado, 12 de agosto de 2017
A MULHER MAIS BONITA
DA CIDADE
A MULHER MAIS BONITA
DA CIDADE
1
A mulher mais bonita da cidade. Ela caminhava. Parava.
Sentava. Levantava. Voltava a caminhar. Paisagem: a porção seca de areia e o
mar quando amanhece e os corais pontiagudos e os caranguejos abilolados – tudo
era ela, e eu me apaixonei.
Eu tinha cinco anos. Meu pai subornava meu irmão mais velho com
uma nota gorda de dez (isso em 1997) e dia sim, dia não, meu irmão me levava à
praia. Ele, meu irmão, também não desgrudava dela, a mulher mais bonita da cidade.
Eu era todo ciúmes. Ciúmes do meu irmão que a desejava sem amor, dos
picolezeiros, dos gringos e dos peixes que saltavam para vê-la; ciúmes do sol que
a assediava sem pudor e ciúmes do vento soprando em seu corpo moreno o áspero
sal das falésias.
Todos a desejavam, mas ela não dava a menor bola. Ela era a
indiferença bronzeada.
Vejam: – A beleza é naturalmente indiferente. Assim como o
mar não se envaidece ante a prece agônica dos afogados, ela ignorava a própria beleza
e a cobiça dos homens.
Ninguém sabia uma vírgula de sua vida, nada, absolutamente
nada, a não ser que era a mulher mais bonita da cidade.
Isso bastava.
2
Um toró miserável caía sobre a Praia do Cotovelo.
A praia deserta. Um pescador , sua viagem perdida, meu irmão
e eu. E ela, claro, porque ela habitava todas as praias da cidade. Sem ela, a
cidade era uma noite fracassada de réveillon. A cerveja acabou, as crianças
dormiram e os fogos só fazem barulho e nenhuma luz.
Chovia e ela caminhava. Meu irmão buscou abrigo num quiosque
abandonado. Os que não amam fogem da chuva e a chuva não perdoa os que não
amam. Esses não herdarão o reino chuvoso dos céus, mas um quiosque abandonado
nos confins do inferno. Por sua vez, ela permaneceu lá. Caminhando. O olhar
distante divisando a costa remota da África, do outro lado do oceano e do tempo.
O que tanto ela olhava?
De repente, sentou na areia molhada que lhe sugou
quadris-coxas-joanetes rumo ao núcleo desconhecido da Terra.
Se vocês não conhecem Natal ou nunca foram à Praia do
Cotovelo, atenção: quando chove, toda areia é movediça e toda tristeza é pouca.
3
Em meio à chuva, eu a observava. Maravilhado. Quase às
lágrimas. Não chorei porque as crianças só choram de dor ou despeito, e não era
dor, tampouco despeito, o que sentia.
Se Galileu Galilei encontrasse a mulher mais bonita da
cidade caminhando pela praia achatada, diria: “A Terra é plana”.
Em seguida, acenderia uma fogueira e guardaria em chamas o
segredo de sua ciência.
4
Nunca choveu tanto. Meu irmão veio me buscar. Cortesmente, o
mandei pentear macaco. Ele não gostou muito da ideia e avançou com aquele olhar
animalesco que os adultos lançam quando desafiados por um moleque petulante.
(No meu caso, substituam petulância por paixão pela mulher mais bonita da
cidade, e dá na mesma).
– Vá pentear macaco, seu ditador da vida dos outros – repeti
uma vez mais e corri, corri, corri como jamais correu o jamaicano Bolt para o
recorde mundial. Corri como só uma criança consegue correr. Quando querem, as
crianças são mais rápidas que qualquer antílope africano fugindo da morte.
Enfim: corri como nunca e escorreguei como sempre. Foi
quando percebi que quanto mais corria, mais me afastava dela.
Apavorado, voltei. Ela não estava mais lá. Ela nunca mais
esteve lá. E aquela foi a última vez.
5
A única beleza que não termina em tragédia é aquela que tem
consciência de si.
Um vulcão só explode porque ainda não se descobriu vulcão. Se
soubesse, confessaria os traumas de sua infância paleolítica no divã rochoso da
psicanálise vulcânica.
Os pardais e as gaivotas não se atiram em queda livre. Na
existência aeroespacial dos pássaros, não existe suicídio.
6
Estávamos no trapiche da Praia de Pirangi, meu irmão e eu,
disputando uma partida de arremesso de pedras ao mar. Era impossível vencê-lo
em condições normais, a não ser quando minha pedra era muito grande e a dele
muito pequena. Não bastasse a desvantagem física, meu irmão sempre me deixava
com as piores pedras.
Um amigo do meu irmão o avistou e correu até o trapiche. Estava
animado, eufórico com a notícia que trazia. O infeliz mal nos alcançou e foi
logo abrindo o berreiro:
– Sabe aquela morena? Encontraram ontem. O mar cuspiu. Só
reconheceram pela tatuagem. Até agora não apareceu família, nada, porra nenhuma.
Esquisito, né? Tão dizendo que se matou. Se jogou no mar, a louca. Bonita
daquele jeito, mas sem um pingo na cabeça. Eu bem que desconfiava, eu bem que
desconfiava... Calada daquele jeito, coisa boa não era.
7
Meus amigos se lançam ao mar. São sete e brincam com uma
bola de vôlei. O mar está calmo e o sol é o termômetro das ondas. Se a vida não
fosse uma besteira, eu brincaria de bola. Se a vida não fosse essa, juro por
Deus, eu jogaria bola com meus amigos.
Permaneço sentado exatamente onde ela esteve... pela última
vez. É questão de tempo: um dia o mar terá consciência de si. Consciente, se arrependerá.
Arrependido, recuará. Recuará até que a cidade do Natal adquira dimensões
continentais.
Então, construiremos uma ponte ligando a Praia do Cotovelo à
costa da África.
Será a maior ponte da história da humanidade. Algum imbecil
batizará com nome de político a maior ponte da história da humanidade, mas
popularmente será conhecida como: ESTRADA DOS AFOGADOS.
8
quinta-feira, 29 de junho de 2017
A primeira morte a gente nunca esquece
Hoje
De repente eu descubro que tudo se
trata do velho. Vinte anos ontem da luta Tyson vs. Holyfield. Meu pai era
aficionado por boxe, quando ainda nesse mundo havia meu pai e o boxe. Quer
dizer, meu pai e o boxe ainda existem, mas os últimos vinte anos aproximaram
meu pai e o boxe da morte. Uma aproximação irremissível, porém justa. Meu pai e
o boxe se recusaram a fazer parte do séc. XXI. Eles tem – ou devem ter, eu imagino
– seus motivos para se refugiaram no passado que os criou e por fatalidade da
vida recusou-se a acompanhá-los.
Antes
O velho passou uma semana
falando da luta. No almoço, socava a mesa e dizia:
– O Holyfield não tem chance. Até
Jesus foi derrotado uma vez. Duas, impossível. O Holyfield não tem chance.
O Tyson vinha de uma derrota
para o canalha Evander Holyfield. O Tyson era dono de um cartel invejável. O
Tyson era o messias que o Deus Muhammad Ali havia prometido ao mundo. Isso o
Tyson ainda não sabia, mas a exemplo do verdadeiro messias, ele seria
brutalmente assassinado e renegado por aqueles que mais amou. O Pilatos da vez
chamava-se Mitch Halpern e usava gravatinha borboleta, à moda dos velhos juízes
da WBA. Novamente o Tyson não sabia, mas o dinheiro e o talento são duas
mulheres belíssimas que dão para o primeiro cara que encontram.
Até aquela noite, Mike Tyson
venceria Aquiles, Spartacus, Joe Lewis, Tarzan, qualquer um. Mike Tyson
esmagaria Davi, o rei cruel dos judeus, e nocautearia Golias, o gingantão filisteu
que não sabia dançar à la Sonny Liston. Mike Tyson era o que dizia o que tinha
a dizer da maneira mais rápida e direta – o Ernest Hemingway dos ringues. Mike
Tyson tinha um caso com a eternidade e definitivamente ele não seria preso ou
morto por isso. A eternidade o acolheria, assim como o acolheu sempre que
calçou as luvas e se deixou consumir pela fúria.
Durante
Quando da luta, o velho acordou meu
irmão mais velho, que por sua vez me acordou. O velho fez café e fumou quantos
cigarros sua ansiedade exigiu. O velho nos pediu encarecidamente que fizéssemos
– meu irmão, eu e Platão, o cachorro da casa – silêncio.
– Esse é o tipo de coisa que a
gente assiste em silêncio, vocês entenderam? Vocês estão vendo esses animais
que pagaram uma fortuna para assistir a luta nas primeiras cadeiras? Vê como
eles gritam e urram? Vê como é ridículo? Só um insensível, um verdadeiro
ignorante, é capaz de gritar enquanto uma luta desse tamanho acontece. Onde eles
pensam que estão? No Coliseu? Esses animais pensam que o Bill Clinton é o Júlio
Cesar, percebe? Eles precisam de uma aula de como fazer silêncio. Se eu
soubesse inglês, eu até poderia ensiná-los a ficar em silêncio.
A Luta
A
luta começou e o Tyson mais parecia uma múmia. Apático, lento, desgovernado,
inábil etc. etc.
O primeiro round se foi e o Tyson continuou parado, incapaz sequer de ultrapassar a linha de cintura. Meu pai e meu irmão estavam embasbacados – silenciosamente embasbacados. Era um milagre às avessas. Um milagre do demônio contra as forças do bem, contra o Tyson. O segundo round veio e Evander Holyfield acertou um direto na barriga do Tyson. Tyson avançou e caiu nos braços do Holyfield. O canalha, então, passou a deferir cabeçadas na testa do Tyson. Mitch Halpern, nosso Pôncio Pilatos, lavou as mãos.
Quando o grande Mike Tyson abocanhou a orelha do canalha Evander Holyfield, meu pai rompeu seu voto de silêncio e praguejou como um daqueles "animais que pensam que o Bill Clinton é o Júlio Cesar". Meu pai havia apostado uma grana na vitória do Tyson.
Depois
Meu pai se refugiou no quintal. Não
havia sentido que um lutador do quilate do Tyson fosse capaz de tal. O velho
estava inconformado. Inutilmente, meu irmão tentou consolá-lo:
– Calma, pai, o Tyson vai derrotar
o Holyfield um dia.
– Não fale besteira, garoto. Você
ainda não conhece a vida. Um dia você vai aprender que um lutador como o Tyson
é incapaz de lidar com a derrota. Isso que você acabou de assistir foi a morte
de um homem. Vá se acostumado. Eles morrem todos os dias e dê graças aos céus
que eles morrem.
Meu irmão e eu entramos. Fazia um
frio insuportável e nós precisávamos dormir. Mesmo quando um homem morre, mesmo
quando alguém tem a orelha arrancada, as crianças precisam dormir. E nós
dormimos.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Ela sorriu como um animal suado dentro da noite. Regou com vinho o cansaço do corpo. Trouxe-me o cigarro consumido pela metade. Apoiou-se no parapeito da janela e como uma estrela esquecida do rádio murmurou uma canção doce e imperceptível. Ligou a TV. Desligou a TV. O mundo, outra vez, dispensável e colorido. Disse "agora eu preciso de música e creio que você também", e a música se fez. De joelhos, pronunciou sua oração libidinosa e repetitiva. Depois de tudo, seu corpo amolecido de animal resgatou a pureza dos anjos que só veem os loucos e os poetas. Sonolenta, dançou. Quando saiu o sol da masmorra noturna de poeira e calor, pediu-me as horas. Rapidamente, abandonou o universo finito do quarto e voltou com suco, pão e o jornal mal escrito que ninguém mais lê, exceto o homem velho e insignificante que há em mim. "Preciso dormir", ela disse. "Durma", eu respondi, e como se seu espirito se desprendesse do corpo para percorrer solitário um caminho de alucinógena felicidade, ela dormiu.
Agora sou eu o animal e disputo com a insônia a possibilidade do sono, do sonho e da felicidade que não existe, nunca existiu, e que nós grotescamente despertamos em sonho. É uma luta vil, e a insônia me vence. Permaneço acordado... e escrevo.
Agora sou eu o animal e disputo com a insônia a possibilidade do sono, do sonho e da felicidade que não existe, nunca existiu, e que nós grotescamente despertamos em sonho. É uma luta vil, e a insônia me vence. Permaneço acordado... e escrevo.
domingo, 21 de agosto de 2016
Durante muito tempo
tive uma única inspiração e toda minha vida foi um ensaio mesquinho e
desesperado, uma fome, uma sede, sei lá, toda minha vida foi a tentativa
fracassada de abandoná-la, ela, ela, a inspiração, ela, Natal – a cidade dos
saqueadores, dos padres, dos cafajestes sem fé, dos maconheiros, das
castas blindadas, do oceano infinito e dos aviões que voam com o combustível
nas últimas e dos cavalos de aço que desfilam pela Av. Prudente de Morais. Vai,
sim, me deixa ser franco: por que me atormentas, Natal? Por que me persegues
como o espírito torpe da vítima persegue o assassino? Por acaso outros também
não te mataram, outros também não fodem contigo e somem no dia seguinte? Gastei quatro relógios fugindo de tuas
esquinas, Nova Amsterdã. Quatro relógios me esquivando da paisagem. Becos e vielas de um passado faminto. Por um segundo, juguei que te havia superado. Ledo engano. Hoje,
exilado, esqueci-me que te havia esquecido, e tomei carona na recordação de tua vasta cabeleira esparramada sobre as dunas de indiferença e calor. Sabe, Natal, penso que ainda há
muita vida em ti. Vida em teus quadris esburacados. Vida em teus calvos morros
de areia. Vida nos de meu sangue que há quatrocentos anos agonizam presos à
correnteza do hálito marítimo. A promessa é de mais quatrocentos anos de
amor, angustia e esquecimento. Oh, cidade fantasma, lancei ao mar meus sonhos de porcelana. O estômago do mar é um baú de sonhos e afogados. Cedo ou tarde, mandarei ao prelo o
livro que te devo. O livro que prometi aos exus de tua última encruzilhada. O livro que me roubou quatro anos e uma dezena de amigos e um
coleção de vícios. O livro que preciso para seguir em frente – seguir em
frente, infelizmente, significa outro livro. O que são cem mil palavras na vida
de um infeliz, me diz, doce senhora? Falta pouco. Mais um mês, y cambio de
religión. Depois, Natal, te farei novamente realidade. Depois, depois...
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Sorte de quem escreve o mesmo texto a vida inteira. O tempo é
um funcionário público cuja repartição é o Caos. O tempo, diferente das amantes
que somem no meio da noite, nunca sacou o batom rosa-choque e escreveu uma balada
de despedida no espelho do banheiro. O tempo não sabe de cor nenhuma canção do
Bob Dylan. O tempo nunca leu Os Irmãos Karamázov sentado no último banco do
último ônibus Natal-João Pessoa. O tempo nos levou à cruz, mas também foi a mão
invisível e pesada que nos trouxe ao mundo. Meia dúzia de milhões o chamam de
Deus. Outros, em vão, tentam relativizá-lo. Semana passada, ganhei um aquário.
Comprei três peixes e um mergulhador de plástico. Ah, se eu pudesse alimentar
os peixes do aquário da sala com o tempo desperdiçado. Oh, se o mergulhador de
plástico preso ao universo não definido do minúsculo aquário fosse capaz de uma
poesia. Urge o envio de duas garrafas de cachaça via sedex para um velho amigo,
uma de minhas setenta e sete promessas pendentes. Urge terminar o livro que há dois
anos e cem mil palavras depois me persegue pelas esquinas. O livro que está nos
lábios rachados das mulheres goianas. O livro que me acompanha à tarde, à
noite, e à madrugada violenta ele bebe e fuma e canta como se o mundo fosse
apenas ele e seu gosto musical. O Nordeste, vocês não sabem?, é um estado de
espírito hipnotizante e brutal. Cada parágrafo de meu livro é um amigo esquecido.
Cada capítulo é um amor sepultado numa geleira de sol e calor, fome e delírio. Pirangi,
Cotovelo & Ponta Negra: essas são as putas que tentaram me afogar e fracassaram.
Se há um bonde chamado desejo, há uma praia chamada desolação. O egoísmo, certamente,
é o único vício do qual ainda não me recuperei.
domingo, 5 de junho de 2016
Piazzolla, cretino, quem te disse que é sagrado o tempo? Piazzolla, mira: envelheci como vinho esmaecido no porão de um navio sepultado, entre fantasmas nordestinos e tubarões obesos. Piazzolla, meu querido amigo, se Buenos Aires ainda existisse, palavra de honra como tomaria o primeiro avião Congonhas-Ezeiza. Chegando lá, uma linda dançarina argentina, um coma alcoólico e quem sabe um último pedido. Mas Buenos Aires é passado. E o passado, em se tratando de América do Sul, é mais um livro de traças na prateleira empoeirada. Portanto, está fora de questão. Piazzolla, quem sou eu para te ensinar qualquer coisa , o mais velho dos cachorros velhos, mas aqui vai: no tango e na vida, felicidade é supérfluo.Felicidade, por aqui, só para disfarçar a tristeza e olhe lá. Assim no tango como no céu, a tristeza nossa de cada dia nos dai hoje. Abração, Astor – até que a sorte nos separe.
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