domingo, 5 de junho de 2016

Piazzolla, quem disse que é sagrado o tempo? Envelheci como vinho no porão de um navio naufragado, entre alucinações nordestinas e tubarões obesos. Piazzolla, meu querido amigo, se Buenos Aires ainda existisse, palavra de honra como tomaria o primeiro avião Congonhas-Ezeiza. Chegando lá, um porre urgentemente e depois quem sabe um pouco de erva portenha uma tarde de taxi perambulando pelas avenidas empesteados. Mas Buenos Aires é passado. E o passado, em se tratando de América do Sul, é mais um livro de traças na prateleira empoeirada. Portanto, fora de questão. Piazzolla, quem sou eu para te ensinar qualquer coisa, o mais velho dos cachorros velhos, mas aqui vai: no tango e na vida, felicidade é supérfluo. Felicidade, por aqui, só para disfarçar a tristeza e olhe lá. Assim no tango como no céu, a tristeza nossa de cada dia nos dai hoje. Abração, Astor – até que a sorte nos separe.

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